A travessia até nem foi má e pensei que demorasse mais tempo. Durante a travessia tivemos que preencher uns papeis com a indicação de onde vínhamos e para onde íamos. Entregamo-los a um senhor num guiché e ele carimbou-nos o passaporte.
Estávamos orgulhosos, era o nosso primeiro carimbo num passaporte novinho em folha!
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| Chegada a Tanger. Vista do barco |
Seguiram-se as tentativas de suborno e depois de darmos uma notinha de 5€ (até os 5 euros tiveram que ser negociados) lá seguimos caminho.
De seguida paramos numa casa de câmbio, mesmo á saída da alfândega. Tínhamos levantado 400€, mais 40 que já trazíamos na carteira. Este foi o nosso primeiro filme!
O I. entrou na casa de cambio e viu as pessoas a trocarem apenas umas notinhas de 20 ou de 50€ e ele levava um molho de notas para trocar. Em frente estava um individuo numa salinha minúscula, com uma janelinha com grades.
Nessa altura pensou: "das duas uma, ou o gajo me fica com os 400€ ou sou assaltado à saída!" . Mas não aconteceu nada, o senhor deu-lhe o dinheiro, o recibo e la seguimos caminho, mas não sem antes sermos bombardeados por uma série de fulanos a pedir dinheiro.
O caminho pela auto-estrada até não correu mal, apesar de não conseguirmos perceber se a faixa da direita era de circulação normal ou para ultrapassar.
O primeiro destino era Casablanca.
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| Vista da Mesquita de Hassam II |
Bom, nunca pensei que a circulação de carros fosse assim! É o salve-se quem puder. Os carros não respeitam prioridades (ou nós não temos as mesmas que eles), não param nas passadeiras para deixar os piões passarem, enfim, acho que fiquei traumatizada!
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| Vista da Janela do Hotel Casablanca |
Ficamos no "Casablanca Hotel" e pagamos 500 dirhams por uma noite, com pequeno almoço incluído.
O povo marroquino, apesar de amistoso, também adora fazer uns trocos com os turistas.
O ultimo guia que tivemos (taxista) cobrou-nos 13 dirhams para nos mostrar o dito hotel, mas como só tínhamos uma nota de 20 disse que não fazia mal e ficava assim..lol..Eu e o I. ficamos a olhar um para o outro com ar de parvos, mas la deixamos ir o homem com os 13Dirhams e o troco.
Instalamo-nos, tomamos um banho e, como o estômago já dava horas, resolvemos ir à procura de comida.
Sabíamos que havia um McDonald na cidade, pois já tínhamos visto o letreiro. Saímos do hotel, chamamos um táxi para nos levar lá e ao fim de 4 tentativas para nos fazermos entender, através do símbolo lá nos entendemos.
Ao chegar á Mesquita de Hassam II fomos abordados por um senhor muito simpático que se prontificou a explicar que estávamos no Ramadão e que àquela hora a mesquita estava fechada e que só abriria depois das 21h.Levou-nos, então, a um café onde bebemos o tradicional chá de menta (hortelã) e de seguida nos guiou até ao Mc mais próximo do nosso hotel.
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| Mesquita Hassam II |
Os primeiros 30 minutos fizeram-se bem. Falamos sobre cultura, religião, enfim, deu para desenferrujar o meu inglês.
Ao fim de uma hora e meia sempre a andar, eu já desesperava. Já não tinha fome e toda aquela disponibilidade já me parecia muitíssimo estranha.
Sem darmos conta ele já sabia o nosso nome, de onde vínhamos, para onde íamos, o hotel onde estávamos, que carro tínhamos, etc etc. esse excesso de informação não me estava a deixar nada segura e, como diz o ditado, "quando a esmola é demais o santo desconfia".
Ao fim de uma hora e muito lá chegamos ao hotel e é aí que tudo começa a fazer sentido. O fulano, Mohamed (parece que lá são todos Mohamend's) começa a dizer-nos que a vida dele é mostrar a cidade aos turistas e pede-nos 10 euros.
Bom, eu estava passada..visita guiada??Aquele caramelo fez-me andar a pé uma hora e tal para ver uma cidade feia e mal cheirosa e ainda quer que lhe pague 10 euros?? Demos-lhe 50 dirhams e já foi com sorte.É certo que a conversa foi agradável e passamos um bom bocado, mas a parte de nos cobrar 10 euros pareceu-me completamente descabida.
Nesta altura lembrei-me das informações todas que tinha sobre nós e fiquei um pouco preocupada.Tive pesadelos a noite toda!!




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