domingo, 5 de setembro de 2010

Primeiro Dia

Depois de uma longa viagem, chegamos a Tarifa 15 minutos antes de o barco sair.
A travessia até nem foi má e pensei que demorasse mais tempo. Durante a travessia tivemos que preencher uns papeis com a indicação de onde vínhamos e para onde íamos. Entregamo-los a um senhor num guiché e ele carimbou-nos o passaporte.
Estávamos orgulhosos, era o nosso primeiro carimbo num passaporte novinho em folha!

Chegada a Tanger. Vista do barco
A chegada a Tanger não foi das mais simples. Ficamos presos na alfândega porque, aparentemente, cometemos o erro de dizer que era a nossa primeira vez em Marrocos.
Seguiram-se as tentativas de suborno e depois de darmos uma notinha de 5€ (até os 5 euros tiveram que ser negociados) lá seguimos caminho.

De seguida paramos numa casa de câmbio, mesmo á saída da alfândega. Tínhamos levantado 400€, mais 40 que já trazíamos na carteira. Este foi o nosso primeiro filme!
O I. entrou na casa de cambio e viu as pessoas a trocarem apenas umas notinhas de 20 ou de 50€ e ele levava um molho de notas para trocar. Em frente estava um individuo numa salinha minúscula, com uma janelinha com grades.
Nessa altura pensou: "das duas uma, ou o gajo me fica com os 400€ ou sou assaltado à saída!" . Mas não aconteceu nada, o senhor deu-lhe o dinheiro, o recibo e la seguimos caminho, mas não sem antes sermos bombardeados por uma série de fulanos a pedir dinheiro.

O caminho pela auto-estrada até não correu mal, apesar de não conseguirmos perceber se a faixa da direita era de circulação normal ou para ultrapassar.

O primeiro destino era Casablanca.
Vista da Mesquita de Hassam II
Como já andávamos perdidos, pedimos ajuda a um jovem de mota que, apesar de não perceber patavina do que dizíamos e vice versa, lá nos levou ao destino que indicamos no mapa.

Bom, nunca pensei que a circulação de carros fosse assim! É o salve-se quem puder. Os carros não respeitam prioridades (ou nós não temos as mesmas que eles), não param nas passadeiras para deixar os piões passarem, enfim, acho que fiquei traumatizada!

Vista da Janela do Hotel Casablanca
Ao fim de algumas longas e penosas horas, lá demos com um hotel (depois de termos 3 guias dentro da cidade).
Ficamos no "Casablanca Hotel" e pagamos 500 dirhams por uma noite, com pequeno almoço incluído.

O povo marroquino, apesar de amistoso, também adora fazer uns trocos com os turistas.
O ultimo guia que tivemos (taxista) cobrou-nos 13 dirhams para nos mostrar o dito hotel, mas como só tínhamos uma nota de 20 disse que não fazia mal e ficava assim..lol..Eu e o I. ficamos a olhar um para o outro com ar de parvos, mas la deixamos ir o homem com os 13Dirhams e o troco.
Instalamo-nos, tomamos um banho e, como o estômago já dava horas, resolvemos ir à procura de comida.
Sabíamos que havia um McDonald na cidade, pois já tínhamos visto o letreiro. Saímos do hotel, chamamos um táxi para nos levar lá e ao fim de 4 tentativas para nos fazermos entender, através do símbolo lá nos entendemos.

Ao chegar á Mesquita de Hassam II fomos abordados por um senhor muito simpático que se prontificou  a explicar que estávamos no Ramadão e que àquela hora a mesquita estava fechada e que só abriria depois das 21h.
Levou-nos, então, a um café onde bebemos o tradicional chá de menta (hortelã) e de seguida nos guiou até ao Mc mais próximo do nosso hotel.

Mesquita Hassam II
Eu tinha ideia que o hotel era longe do sitio onde estávamos, uma vez que demoramos 10 minutos de carro até lá chegar, mas..como disse que era perto pensei que conhecia algum atalho.

Os primeiros 30 minutos fizeram-se bem. Falamos sobre cultura, religião, enfim, deu para desenferrujar o meu inglês.
Ao fim de uma hora e meia sempre a andar, eu já desesperava. Já não tinha fome e toda aquela disponibilidade já me parecia muitíssimo estranha.
Sem darmos conta ele já sabia o nosso nome, de onde vínhamos, para onde íamos, o hotel onde estávamos, que carro tínhamos, etc etc. esse excesso de informação não me estava a deixar nada segura e, como diz o ditado, "quando a esmola é demais o santo desconfia".

Ao fim de uma hora e muito lá chegamos ao hotel e é aí que tudo começa a fazer sentido. O fulano, Mohamed (parece que lá são todos Mohamend's) começa a dizer-nos que a vida dele é mostrar a cidade aos turistas e pede-nos 10 euros.
Bom, eu estava passada..visita guiada??Aquele caramelo fez-me andar a pé uma hora e tal para ver uma cidade feia e mal cheirosa e ainda quer que lhe pague 10 euros?? Demos-lhe 50 dirhams e já foi com sorte.

É certo que a conversa foi agradável e passamos um bom bocado, mas a parte de nos cobrar 10 euros pareceu-me completamente descabida.
Nesta altura lembrei-me das informações todas que tinha sobre nós e fiquei um pouco preocupada.Tive pesadelos a noite toda!!

A Preparaçao

Chegou a altura de preparar as férias e o destino não estava bem definido.
Eu e o meu marido temos ideias distintas do que são férias. Eu gosto de férias onde possa descansar, mas que tenha uma vertente cultural, afinal, as férias são uma óptima forma de enriquecermos a nossa cultura geral. Para ele, férias são num sitio paradisíaco, onde possa estar 15 dias de papo para o ar, onde se coma bem e de preferência com ondas para surfar.

Claro que tínhamos que chegar a um consenso!
Foi aí que nos lembramos de Marrocos, um país cheiro de cultura para eu explorar e com bastantes ondas para surfar.

Como temos um espírito aventureiro, a primeira ideia foi logo fazermos a viagem de carro.
Contactamos uma surfcamp em Agadir, que nos foi recomendada por amigos e marcamos a estadia.
Então o plano era o seguinte: saiamos de Lisboa com destino a Casabranca, ficávamos 2 dias para conhecer a cidade, depois uma semana em Agadir na MarocSurfcamp e por fim, na viagem de volta, Marraquexe e Rabat.

Fizemos as nossa pesquisas, imprimimos referências de hoteis nas várias cidades, zonas de interesse a visitar, fizemos as malas e la fomos nós..