Mais um dia e o calor aperta.
Falaram-me em 50 graus na praia e fiquei assustada.
Ainda não me sinto bem e os meus instintos estão a começar a dar sinal de alarme. Tomei ,logo pela manhã, o ultra-levur para regular a coisa.
Mesmo quase de partida resolvi não ir. Tamri fica bem longe do hotel e com o calor que estava de certeza que me ia sentir mal. O José Guilherme, a Maria e as meninas também não foram por causa do calor e isso tranquilizou o Ivo, que já estava a equacionar ficar também, só para eu não ficar sosinha.
O plano para o dia era o seguinte: piscina, almoçar cedo e depois passear por aí, ir a Tagazout ver as surfshops e quem sabe voltar ao mercado de Agadir.
Este é o diário da minha primeira viagem a Marrocos. Aqui poderás conhecer a minha experiência fora de Portugal e algumas curiosidades sobre o país.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Quinto Dia
Não há ondas! O mar resolveu tirar uns dias de descanso e as praias mais parecem piscinas.
Estava um calor infernal! Fomos para Tamri, uma praia mais a noite de Agadir e onde a costa está um pouco mais exposta ás boas condições da pratica de surf.
Estavam 40 gráus e a única maneira de nos sentirmos minimamente bem é mesmo dentro de água.
O Ivo é que estava bem..fazia ondas atrás de ondas e parece que tirou a barriga da miséria.
O calor foi tanto que comecei a sentir fortes dores de cabeça, tonturas..enfim..muito mal disposta.
Resolvemos, então, que era hora de nos irmos embora. Desmontamos acampamento e seguimos rumo ao Souk (mercado de Agadir). Lá podemos encontrar de tudo, mas quando digo tudo..é mesmo TUDO!
Aquilo é uma espécie de centro comercial de rua, versão pobre.
Compramos uns chinelos para o Ivo (60 dirhams). A negociação começou pelos 200 Dirhams, depois baixou para 180, 150 e assim por diante até chegar aos 60.
Em Marrocos é assim, lançamos um valor bem baixinho para podermos negociar pelo valor que queremos.
mas para ir ao mercado é preciso tempo para negociar. Em cada compra perdemos uma média de 20 ou 30 minutos em negociações e o mercado é enorme.
Infelizmente chagamos um pouco tarde e ás 19h eles fecham as lojas para ir "almoçar".
Relembro que estavam no Ramadão e não comem, nem bebem nada durante o dia. Quando bate as 19h, eles ficam que nem loucos.
Ao voltarmos para o hotel a minha má disposição não melhorava em nada. Cada vez me sentia pior.
O jantar, esparguete a bolonhesa, aliviou um pouco a dor de cabeça. Possivelmente era fome ou até mesmo desidratação.
Estava um calor infernal! Fomos para Tamri, uma praia mais a noite de Agadir e onde a costa está um pouco mais exposta ás boas condições da pratica de surf.
Estavam 40 gráus e a única maneira de nos sentirmos minimamente bem é mesmo dentro de água.
O Ivo é que estava bem..fazia ondas atrás de ondas e parece que tirou a barriga da miséria.
O calor foi tanto que comecei a sentir fortes dores de cabeça, tonturas..enfim..muito mal disposta.
Resolvemos, então, que era hora de nos irmos embora. Desmontamos acampamento e seguimos rumo ao Souk (mercado de Agadir). Lá podemos encontrar de tudo, mas quando digo tudo..é mesmo TUDO!
Aquilo é uma espécie de centro comercial de rua, versão pobre.
Compramos uns chinelos para o Ivo (60 dirhams). A negociação começou pelos 200 Dirhams, depois baixou para 180, 150 e assim por diante até chegar aos 60.
Em Marrocos é assim, lançamos um valor bem baixinho para podermos negociar pelo valor que queremos.
mas para ir ao mercado é preciso tempo para negociar. Em cada compra perdemos uma média de 20 ou 30 minutos em negociações e o mercado é enorme.
Infelizmente chagamos um pouco tarde e ás 19h eles fecham as lojas para ir "almoçar".
Relembro que estavam no Ramadão e não comem, nem bebem nada durante o dia. Quando bate as 19h, eles ficam que nem loucos.
Ao voltarmos para o hotel a minha má disposição não melhorava em nada. Cada vez me sentia pior.
O jantar, esparguete a bolonhesa, aliviou um pouco a dor de cabeça. Possivelmente era fome ou até mesmo desidratação.
Quarto Dia
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| Visitantes |
O tempo está sempre enublado e o sol só mostra o ar da sua graça 2 ou 3 horas por dia.
Apesar de estar a usar protector solar 30, nada me impediu de apanhar um belo escaldão na cara.
Hoje lancei-me a aventura e resolvi dar banho ao meu sabonete (leia-se prancha de bodyboard).
Demorei a vontade uns 10 minutos a vestir o fato e como já não me banhava com aquele trajes há algum tempo, acabei por calçar os meus sapatinhos de Cinderela (= pés de pato) ao contrário. Eu bem achava estranho dar aos pés e não sair do mesmo sitio, mas achei que era por não estar em forma.
Qual quê?! Depois de algumas tentativas frustradas deixei a prancha de lado e pedi ao Ivo para me ensinar a surfar.
Logo na primeira onde parti a unha do dedão grande do pé. Quando me ia a colocar em pé, esperando que a prancha fosse para a frente, o Ivo segurou-a e o meu dedito ficou preso no deck.
Que dor! Raios partam o surf!!
Mas não desisti. Ainda fiz mais umas 3 onditas e à terceira coloquei-me de joelhos.
Isto é tipo a evolução do homem. Primeiro andavam com as mão e os pés no chão, depois de gatas e por fim em pé. No surf também é assim..lol..eu estou na fase de gatas. Amanhã será melhor!!
A noite fomos jantar à marina de Agadir. A zona é muito bonita e bastante desenvolvida tendo em conta onde estávamos hospedados. Como estamos na altura do ramadão, e os marroquinos só podem comer depois das 19h, a cozinha dos restaurantes abre entre as 20h30 e as 21h, o que faz com que só possamos comer lá para as 22h.
Eu que estou habituada a jantar as 20h, as 22h já estou quase a cair para o lado.
O jantar foi muito agradável!!
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| Marina de Agadir |
Terceiro Dia
O terceiro dia começou da melhor maneira.
O pequeno almoço foi simplesmente fantástico! Crepes com doce de morango e mel, acompanhado de sumo de laranja natural, iogurte de pistacho e café.
Neste momento estou a escrever na praia. Não está sol, mas a temperatura está agradável. Ondas é que nem vê-las! O Ivo bem tenta apanhar qualquer coisa com a longboard, mas está complicado.
No final do dia fomos de carro até Tagazout conhecer o espaço e as surfshops cá da zona.
O jantar foi: espetadinhas de peixe, com arroz de açafrão e frutos secos.
Aqui parece que colocam caril em tudo..ou pelo menos tudo me sabe a caril..será sugestão??
O jantar foi bastante agradável, na companhia de dois "colegas" espanhóis e um italiano, que por sinal, fala muitíssimo bem português.
Foi muito engraçado compararmos as culturas e politicas dos 3 países. Conclusão?? "Só mudam as moscas..porque o cheiro é sempre o mesmo!"..LOL
O pequeno almoço foi simplesmente fantástico! Crepes com doce de morango e mel, acompanhado de sumo de laranja natural, iogurte de pistacho e café.
Neste momento estou a escrever na praia. Não está sol, mas a temperatura está agradável. Ondas é que nem vê-las! O Ivo bem tenta apanhar qualquer coisa com a longboard, mas está complicado.
No final do dia fomos de carro até Tagazout conhecer o espaço e as surfshops cá da zona.
O jantar foi: espetadinhas de peixe, com arroz de açafrão e frutos secos.
Aqui parece que colocam caril em tudo..ou pelo menos tudo me sabe a caril..será sugestão??
O jantar foi bastante agradável, na companhia de dois "colegas" espanhóis e um italiano, que por sinal, fala muitíssimo bem português.
Foi muito engraçado compararmos as culturas e politicas dos 3 países. Conclusão?? "Só mudam as moscas..porque o cheiro é sempre o mesmo!"..LOL
Segundo Dia
Quando acordei parecia que tinha sido atropelada por um camião. Tinha muitas dores no corpo, dores de cabeça e...MUITA FOME! Relembro que no dia anterior n tinha jantado á conta daquela impiedosa caminhada forçada.
Ontem telefonamos á Maria para saber se podíamos entrar na Surfcamp mais cedo e como nos disse que sim já estamos a caminho. São 200km até Marraquexe e não sei bem mais quantos até Agadir. Temos pela frente umas 5h de viagem..até já!
Ah, esqueci-me de contar o fantástico pequeno almoço que tivemos á pouco.
A fome era tanta que pensamos que íamos tirar a barriga da miséria, mas qual quê?! Pão tipo francês (cacetes) duro, com margarina (ou uma manteiga bem estranha..), azeitonas, ovos cozidos, sumo e café.
Maravilha!!O que vale é que a fome era tanta que qualquer coisa marchava.
Mil e tal km depois, o balaço da viagem nem é muito mau. Há zonas em que a paisagem faz lembrar a nossa alentejana.
São montes, vale e belas planícies das mais diversas tonalidades. Engraçado passarmos de cidade em cidade e os tons da terra irem alterando entre o castanho, bege, laranja e vermelho.
Ao entrar na cidade de Agadir tudo era diferente..para melhor..claro! Vindos de uma zona onde a destruição (ou ausência de construção) e falta de higiene imperavam, Agadir parece uma cidade fantástica.
As ruas têm jardins bonitos e até os condutores parecem civilizados. Todos circulam pela direita e respeitam a prioridade nas rotundas.
Seguimos, então, até à zona de Aourir. Lá pedimos algumas indicações à Maria e conseguimos chegar à famosa Surfcamp.
Por onde temos passado o cenário é um pouco complicado de digerir. As pessoas são muito pouco asseadas e nas ruas, crianças e animais mortos partilham o mesmo espaço.
O hotel é simpático. É verdade que o primeiro impacto do quarto não foi o melhor, talvez por termos ficado com o toalheiro na mão assim que pegamos numa toalha.
Estamos á espera que a Maria chegue para percebermos se ficamos cá a semana toda ou se voltamos para Portugal mais cedo.
Até agora, Marrocos, definitivamente não nos conquistou. Vamos ver!!
Depois de relaxarmos um pouco no quarto e de fazermos mil e um planos para sair daqui o mais rápido possível, resolvemos dar tempo ao tempo e ver como tudo corria.
A chegada da Maria definitivamente tranquilizou-nos. Com ela chegou também um amigo português. Aleluia..alguém com quem podemos falar a nossa adorada língua.
O jantar estava servido. Colocaram duas travessas na mesa e eu fui a primeita a levantar-me. Como se diz por aí "tinha o estômago colado as costas". Há dois dias que não tinhamos uma refeição de garfo e faca.
Eram saladas e eu pensei "ora bolas, com a fome que tenho só me dão isto para comer?". Depois pensei "bom, no menu falava em tajine e em salada. Provavelmente isto é só a salada". E era mesmo!!
As saladas não eram más - uma era uma mistura de arroz, atum, tomate e azeitonas; a outra era composta de pimento verde, tomate e caril.
O prato principal era arroz de açafrão e umas bolinhas de carne, tipo mini almôndegas, em molho de tomate e com ovos escalfados por cima.
Desconfiada, lá coloquei a comida no prato e meti a primeira garfada a boca.
Não tinha uma pitada de sal! Parecia que a comida não sabia a nada, mas depois da segunda degustação o comer já tinha um sabor fantástico.
Para sobremesa : meloa, melancia e romã (descascadinha..que maravilha!).
Claro que o chá de menta n podia faltar!!
O dia terminou com uma bela noite de sono. Podia ter sido melhor não fosse o lençol pequeno demais para aquela cama. Cada vez que me mexia parecia um croquete embrulhada em lençol..lol..
Ontem telefonamos á Maria para saber se podíamos entrar na Surfcamp mais cedo e como nos disse que sim já estamos a caminho. São 200km até Marraquexe e não sei bem mais quantos até Agadir. Temos pela frente umas 5h de viagem..até já!
Ah, esqueci-me de contar o fantástico pequeno almoço que tivemos á pouco.
A fome era tanta que pensamos que íamos tirar a barriga da miséria, mas qual quê?! Pão tipo francês (cacetes) duro, com margarina (ou uma manteiga bem estranha..), azeitonas, ovos cozidos, sumo e café.
Maravilha!!O que vale é que a fome era tanta que qualquer coisa marchava.
Mil e tal km depois, o balaço da viagem nem é muito mau. Há zonas em que a paisagem faz lembrar a nossa alentejana.
São montes, vale e belas planícies das mais diversas tonalidades. Engraçado passarmos de cidade em cidade e os tons da terra irem alterando entre o castanho, bege, laranja e vermelho.
Ao entrar na cidade de Agadir tudo era diferente..para melhor..claro! Vindos de uma zona onde a destruição (ou ausência de construção) e falta de higiene imperavam, Agadir parece uma cidade fantástica.
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| Tamraght |
Seguimos, então, até à zona de Aourir. Lá pedimos algumas indicações à Maria e conseguimos chegar à famosa Surfcamp.Por onde temos passado o cenário é um pouco complicado de digerir. As pessoas são muito pouco asseadas e nas ruas, crianças e animais mortos partilham o mesmo espaço.
O hotel é simpático. É verdade que o primeiro impacto do quarto não foi o melhor, talvez por termos ficado com o toalheiro na mão assim que pegamos numa toalha.
Estamos á espera que a Maria chegue para percebermos se ficamos cá a semana toda ou se voltamos para Portugal mais cedo.
Até agora, Marrocos, definitivamente não nos conquistou. Vamos ver!!
Depois de relaxarmos um pouco no quarto e de fazermos mil e um planos para sair daqui o mais rápido possível, resolvemos dar tempo ao tempo e ver como tudo corria.
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| Riad Imourane |
A chegada da Maria definitivamente tranquilizou-nos. Com ela chegou também um amigo português. Aleluia..alguém com quem podemos falar a nossa adorada língua.
O jantar estava servido. Colocaram duas travessas na mesa e eu fui a primeita a levantar-me. Como se diz por aí "tinha o estômago colado as costas". Há dois dias que não tinhamos uma refeição de garfo e faca.
Eram saladas e eu pensei "ora bolas, com a fome que tenho só me dão isto para comer?". Depois pensei "bom, no menu falava em tajine e em salada. Provavelmente isto é só a salada". E era mesmo!!
As saladas não eram más - uma era uma mistura de arroz, atum, tomate e azeitonas; a outra era composta de pimento verde, tomate e caril.
O prato principal era arroz de açafrão e umas bolinhas de carne, tipo mini almôndegas, em molho de tomate e com ovos escalfados por cima.Desconfiada, lá coloquei a comida no prato e meti a primeira garfada a boca.
Não tinha uma pitada de sal! Parecia que a comida não sabia a nada, mas depois da segunda degustação o comer já tinha um sabor fantástico.
Para sobremesa : meloa, melancia e romã (descascadinha..que maravilha!).
Claro que o chá de menta n podia faltar!!
O dia terminou com uma bela noite de sono. Podia ter sido melhor não fosse o lençol pequeno demais para aquela cama. Cada vez que me mexia parecia um croquete embrulhada em lençol..lol..
domingo, 5 de setembro de 2010
Primeiro Dia
Depois de uma longa viagem, chegamos a Tarifa 15 minutos antes de o barco sair.
A travessia até nem foi má e pensei que demorasse mais tempo. Durante a travessia tivemos que preencher uns papeis com a indicação de onde vínhamos e para onde íamos. Entregamo-los a um senhor num guiché e ele carimbou-nos o passaporte.
Estávamos orgulhosos, era o nosso primeiro carimbo num passaporte novinho em folha!
A chegada a Tanger não foi das mais simples. Ficamos presos na alfândega porque, aparentemente, cometemos o erro de dizer que era a nossa primeira vez em Marrocos.
Seguiram-se as tentativas de suborno e depois de darmos uma notinha de 5€ (até os 5 euros tiveram que ser negociados) lá seguimos caminho.
De seguida paramos numa casa de câmbio, mesmo á saída da alfândega. Tínhamos levantado 400€, mais 40 que já trazíamos na carteira. Este foi o nosso primeiro filme!
O I. entrou na casa de cambio e viu as pessoas a trocarem apenas umas notinhas de 20 ou de 50€ e ele levava um molho de notas para trocar. Em frente estava um individuo numa salinha minúscula, com uma janelinha com grades.
Nessa altura pensou: "das duas uma, ou o gajo me fica com os 400€ ou sou assaltado à saída!" . Mas não aconteceu nada, o senhor deu-lhe o dinheiro, o recibo e la seguimos caminho, mas não sem antes sermos bombardeados por uma série de fulanos a pedir dinheiro.
O caminho pela auto-estrada até não correu mal, apesar de não conseguirmos perceber se a faixa da direita era de circulação normal ou para ultrapassar.
O primeiro destino era Casablanca.
Como já andávamos perdidos, pedimos ajuda a um jovem de mota que, apesar de não perceber patavina do que dizíamos e vice versa, lá nos levou ao destino que indicamos no mapa.
Bom, nunca pensei que a circulação de carros fosse assim! É o salve-se quem puder. Os carros não respeitam prioridades (ou nós não temos as mesmas que eles), não param nas passadeiras para deixar os piões passarem, enfim, acho que fiquei traumatizada!
Ao fim de algumas longas e penosas horas, lá demos com um hotel (depois de termos 3 guias dentro da cidade).
Ficamos no "Casablanca Hotel" e pagamos 500 dirhams por uma noite, com pequeno almoço incluído.
O povo marroquino, apesar de amistoso, também adora fazer uns trocos com os turistas.
O ultimo guia que tivemos (taxista) cobrou-nos 13 dirhams para nos mostrar o dito hotel, mas como só tínhamos uma nota de 20 disse que não fazia mal e ficava assim..lol..Eu e o I. ficamos a olhar um para o outro com ar de parvos, mas la deixamos ir o homem com os 13Dirhams e o troco.
Instalamo-nos, tomamos um banho e, como o estômago já dava horas, resolvemos ir à procura de comida.
Sabíamos que havia um McDonald na cidade, pois já tínhamos visto o letreiro. Saímos do hotel, chamamos um táxi para nos levar lá e ao fim de 4 tentativas para nos fazermos entender, através do símbolo lá nos entendemos.
Ao chegar á Mesquita de Hassam II fomos abordados por um senhor muito simpático que se prontificou a explicar que estávamos no Ramadão e que àquela hora a mesquita estava fechada e que só abriria depois das 21h.
Levou-nos, então, a um café onde bebemos o tradicional chá de menta (hortelã) e de seguida nos guiou até ao Mc mais próximo do nosso hotel.
Eu tinha ideia que o hotel era longe do sitio onde estávamos, uma vez que demoramos 10 minutos de carro até lá chegar, mas..como disse que era perto pensei que conhecia algum atalho.
Os primeiros 30 minutos fizeram-se bem. Falamos sobre cultura, religião, enfim, deu para desenferrujar o meu inglês.
Ao fim de uma hora e meia sempre a andar, eu já desesperava. Já não tinha fome e toda aquela disponibilidade já me parecia muitíssimo estranha.
Sem darmos conta ele já sabia o nosso nome, de onde vínhamos, para onde íamos, o hotel onde estávamos, que carro tínhamos, etc etc. esse excesso de informação não me estava a deixar nada segura e, como diz o ditado, "quando a esmola é demais o santo desconfia".
Ao fim de uma hora e muito lá chegamos ao hotel e é aí que tudo começa a fazer sentido. O fulano, Mohamed (parece que lá são todos Mohamend's) começa a dizer-nos que a vida dele é mostrar a cidade aos turistas e pede-nos 10 euros.
Bom, eu estava passada..visita guiada??Aquele caramelo fez-me andar a pé uma hora e tal para ver uma cidade feia e mal cheirosa e ainda quer que lhe pague 10 euros?? Demos-lhe 50 dirhams e já foi com sorte.
É certo que a conversa foi agradável e passamos um bom bocado, mas a parte de nos cobrar 10 euros pareceu-me completamente descabida.
Nesta altura lembrei-me das informações todas que tinha sobre nós e fiquei um pouco preocupada.Tive pesadelos a noite toda!!
A travessia até nem foi má e pensei que demorasse mais tempo. Durante a travessia tivemos que preencher uns papeis com a indicação de onde vínhamos e para onde íamos. Entregamo-los a um senhor num guiché e ele carimbou-nos o passaporte.
Estávamos orgulhosos, era o nosso primeiro carimbo num passaporte novinho em folha!
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| Chegada a Tanger. Vista do barco |
Seguiram-se as tentativas de suborno e depois de darmos uma notinha de 5€ (até os 5 euros tiveram que ser negociados) lá seguimos caminho.
De seguida paramos numa casa de câmbio, mesmo á saída da alfândega. Tínhamos levantado 400€, mais 40 que já trazíamos na carteira. Este foi o nosso primeiro filme!
O I. entrou na casa de cambio e viu as pessoas a trocarem apenas umas notinhas de 20 ou de 50€ e ele levava um molho de notas para trocar. Em frente estava um individuo numa salinha minúscula, com uma janelinha com grades.
Nessa altura pensou: "das duas uma, ou o gajo me fica com os 400€ ou sou assaltado à saída!" . Mas não aconteceu nada, o senhor deu-lhe o dinheiro, o recibo e la seguimos caminho, mas não sem antes sermos bombardeados por uma série de fulanos a pedir dinheiro.
O caminho pela auto-estrada até não correu mal, apesar de não conseguirmos perceber se a faixa da direita era de circulação normal ou para ultrapassar.
O primeiro destino era Casablanca.
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| Vista da Mesquita de Hassam II |
Bom, nunca pensei que a circulação de carros fosse assim! É o salve-se quem puder. Os carros não respeitam prioridades (ou nós não temos as mesmas que eles), não param nas passadeiras para deixar os piões passarem, enfim, acho que fiquei traumatizada!
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| Vista da Janela do Hotel Casablanca |
Ficamos no "Casablanca Hotel" e pagamos 500 dirhams por uma noite, com pequeno almoço incluído.
O povo marroquino, apesar de amistoso, também adora fazer uns trocos com os turistas.
O ultimo guia que tivemos (taxista) cobrou-nos 13 dirhams para nos mostrar o dito hotel, mas como só tínhamos uma nota de 20 disse que não fazia mal e ficava assim..lol..Eu e o I. ficamos a olhar um para o outro com ar de parvos, mas la deixamos ir o homem com os 13Dirhams e o troco.
Instalamo-nos, tomamos um banho e, como o estômago já dava horas, resolvemos ir à procura de comida.
Sabíamos que havia um McDonald na cidade, pois já tínhamos visto o letreiro. Saímos do hotel, chamamos um táxi para nos levar lá e ao fim de 4 tentativas para nos fazermos entender, através do símbolo lá nos entendemos.
Ao chegar á Mesquita de Hassam II fomos abordados por um senhor muito simpático que se prontificou a explicar que estávamos no Ramadão e que àquela hora a mesquita estava fechada e que só abriria depois das 21h.Levou-nos, então, a um café onde bebemos o tradicional chá de menta (hortelã) e de seguida nos guiou até ao Mc mais próximo do nosso hotel.
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| Mesquita Hassam II |
Os primeiros 30 minutos fizeram-se bem. Falamos sobre cultura, religião, enfim, deu para desenferrujar o meu inglês.
Ao fim de uma hora e meia sempre a andar, eu já desesperava. Já não tinha fome e toda aquela disponibilidade já me parecia muitíssimo estranha.
Sem darmos conta ele já sabia o nosso nome, de onde vínhamos, para onde íamos, o hotel onde estávamos, que carro tínhamos, etc etc. esse excesso de informação não me estava a deixar nada segura e, como diz o ditado, "quando a esmola é demais o santo desconfia".
Ao fim de uma hora e muito lá chegamos ao hotel e é aí que tudo começa a fazer sentido. O fulano, Mohamed (parece que lá são todos Mohamend's) começa a dizer-nos que a vida dele é mostrar a cidade aos turistas e pede-nos 10 euros.
Bom, eu estava passada..visita guiada??Aquele caramelo fez-me andar a pé uma hora e tal para ver uma cidade feia e mal cheirosa e ainda quer que lhe pague 10 euros?? Demos-lhe 50 dirhams e já foi com sorte.É certo que a conversa foi agradável e passamos um bom bocado, mas a parte de nos cobrar 10 euros pareceu-me completamente descabida.
Nesta altura lembrei-me das informações todas que tinha sobre nós e fiquei um pouco preocupada.Tive pesadelos a noite toda!!
A Preparaçao
Chegou a altura de preparar as férias e o destino não estava bem definido.
Eu e o meu marido temos ideias distintas do que são férias. Eu gosto de férias onde possa descansar, mas que tenha uma vertente cultural, afinal, as férias são uma óptima forma de enriquecermos a nossa cultura geral. Para ele, férias são num sitio paradisíaco, onde possa estar 15 dias de papo para o ar, onde se coma bem e de preferência com ondas para surfar.
Claro que tínhamos que chegar a um consenso!
Foi aí que nos lembramos de Marrocos, um país cheiro de cultura para eu explorar e com bastantes ondas para surfar.
Como temos um espírito aventureiro, a primeira ideia foi logo fazermos a viagem de carro.
Contactamos uma surfcamp em Agadir, que nos foi recomendada por amigos e marcamos a estadia.
Então o plano era o seguinte: saiamos de Lisboa com destino a Casabranca, ficávamos 2 dias para conhecer a cidade, depois uma semana em Agadir na MarocSurfcamp e por fim, na viagem de volta, Marraquexe e Rabat.
Fizemos as nossa pesquisas, imprimimos referências de hoteis nas várias cidades, zonas de interesse a visitar, fizemos as malas e la fomos nós..
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